
Uma mulher esteve consultando comigo ontem sobre seu desejo de engravidar, pois havia recentemente sido aconselhada a esperar três anos enquanto a Lua progredida transita Capricórnio em seu mapa astral, pois do contrário fatalmente se tornaria uma péssima mãe.
Esta asneira interpretativa parte do princípio que o lugar “certo” da Lua para ser mãe é no signo de Câncer, oposto a Capricórnio.
O Zodíaco é um sistema simbólico circular e nele, todos os pontos são equidistantes do centro: nada é melhor ou pior, apenas diferente.
Os signos representam modos de expressão de um fluxo criativo, e a Lua em Capricórnio corresponde à emoção que se expressa pela dedicação perseverante, a proteção persistente, o acolhimento sólido, a confidencialidade sigilosa, o aconselhamento experiente, os sentimentos alicerçados na memória e no tempo, os vínculos construtivos e a responsabilidade parental que não recua, mesmo diante dos maiores obstáculos.
Não somos o que somos apenas para nós mesmos, mas também para os outros e assim é que até nossas faltas e falhas são necessárias para a diversidade e a evolução, enquanto somos eternos devedores aos outros das facilidades de que fomos dotados, pois no frigir dos ovos do grande esquema das coisas, tudo se compensa.
Mas há os que acreditam que alguém poderia ser melhor se tivesse nascido sob outro céu e que a natureza deveria parar de produzir mulheres quando a Lua estiver em Capricórnio, pois assim o mundo seria poupado de que “megeras”, tais Annie Lennox, tivessem filhos e expressassem tamanhas preocupações:
“É uma realidade muito diferente quando se tem filhos. Você tem de estar lá para eles, você tem que servir de exemplo mesmo quando você não tem certeza do que seu exemplo seja; enquanto o mundo muda tão rápido que você não sabe o que é o mais adequado.”
Expliquei à jovem mulher que me consultou ontem, que se ela decidisse ser mãe agora, enquanto a Lua progride em Capricórnio, que ela buscasse o apoio das mulheres mais velhas, sábias e experientes para lhe transmitir a segurança para assumir a responsabilidade de ter um filho.
Que não se preocupasse tanto em mante-lo nutrido, asseado, protegido e saudável a ponto de que ela não tivesse tempo para gozar a alegria, cheia da inocência original, que todo bebê é portador, capaz de nos ligar à criança imaculada que um dia todos nós fomos.
Até mesmo Adolf Hitler.
Foto: Annie Lennox atua em prol das crianças vítimas da Aids na África.
Vejam aqui ela e Aretha Franklyn em “Sisters Are Doin’ It For Themselves”.
http://www.youtube.com/watch?v=_Pu0Fn1oRN4
Publicado por Antonio Harres, 1 de abril de 2012 - 17:23



